Não é força de expressão: São Paulo abriga a maior colônia japonesa fora do Japão, e é exatamente por isso que a cozinha nipônica encontrou aqui um terreno fértil como em nenhum outro lugar do planeta. O resultado é uma cena gastronômica que não é cópia de nada — é revolução genuína, com identidade própria.
Bora conhecer os restaurantes que ajudaram a escrever essa história.

Jun Sakamoto: o mestre dos nigiris
Se tem alguém que provou que nigiri é arte de verdade, esse alguém é o Sakamoto. No restaurante que leva seu nome, ele manda uma degustação de sushis com arroz no ponto certo e peixe sempre fresquinho e da estação — tudo pensado pra que cada bocado seja uma experiência completa. O menu passa por tartare de atum com ovas de karasumi e vai até nigiris de robalo, parato e o que mais a criatividade do chef (e do seu braço direito, Ryuzo Nishimura) permitir. O rolê é tão discreto que nem tem placa na porta — mas isso não impediu o restaurante de fisgar uma Estrela MICHELIN.

Kan Suke: um pedacinho de Tóquio na Paulista
A poucos metros do corre da Avenida Paulista, uma portinha discreta te teleporta pra um bairro de Tóquio. É ali, numa galeria comercial modesta, que fica um dos japoneses mais tradicionais (e melhores) da cidade. Atrás do balcão, só um chef: Keisuke Egashira, que sozinho corta os peixes com precisão cirúrgica pra montar um menu que muda com as estações (pargo, olho-de-boi, garoupa, robalo). Rápido e preciso como um ninja, ele mal levanta o olhar pro salão — mas garante que tudo flua com harmonia nesse restaurante 1 Estrela MICHELIN.

Kuro: um japonês com brasa (literalmente)
No Kuro, o omakase tem uma estrela paralela: o carvão. E não é qualquer um — é o Binchotan, japonês, puro, com altíssima densidade e rendimento de calor, que dá aquele toque especial em tudo que passa pelo fogo. Com só dez lugares por turno, o sushiman Henry Miyano e o parceiro de balcão Luís Gustavo Costa criam 16 etapas de puro suor e talento, com peixes de altíssima qualidade e wasabi vindo direto do Japão. O clima é elegante e discreto, com balcão em pedra preta e um quadro da Mona Lisa de quimono (sim, isso existe). O restaurante já tem sua Estrela MICHELIN — e ainda dá pra fechar a noite com um drink lá em cima, no bar Shiro, todo inspirado na cultura japonesa.

Kotori: a festa da cozinha yōshoku
Clima de bar, cardápio criativo e um baita respeito pela cozinha yōshoku — aquela que pega pratos ocidentais (geralmente europeus) e dá um upgrade com ingredientes e técnicas japonesas. O chef e sócio Thiago Bañares mistura o melhor do Brasil com o refinamento nipônico, tipo os cogumelos eryngui num caldo de galinha com tucupi e sementes de mostarda. O menu vai de vegetais grelhados a peixe do dia na brasa, sem esquecer o clássico karaage crocante. E os coquetéis? Impecáveis — afinal, Bañares também é sócio do premiadíssimo bar Tan Tan, ali pertinho.

Murakami: hospitalidade nipo-brasileira do bom
A carreira de Tsuyoshi Murakami começou cedo, na Liberdade — o bairro japonês mais tradicional de São Paulo — mas o chef não parou por aí: passou por Tóquio, Nova York e Barcelona antes de voltar e se firmar de vez na capital paulista. Hoje, num espaço moderno e minimalista no Jardim Paulista, ele serve dois menus (sempre com ingredientes top): um mais focado em sushi e cozinha fria, outro mais livre, com pratos quentes, aperitivos e até tempurás. Em ambos, a assinatura criativa que rendeu a ele uma Estrela MICHELIN. Nascido em Hokkaido, Murakami aprendeu aqui no Brasil o verdadeiro valor da hospitalidade — e poucos anfitriões na cidade chegam perto dele.
Foto de capa: a oferta do restaurante Jun Sakamoto é cuidada até o último detalhe © Rodrigo Sacramento/Jun Sakamoto


